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Por que você quebra se não repõe carboidrato — mesmo tendo gordura de sobra?

Se você é atleta de endurance, provavelmente já ouviu (ou acreditou) na ideia de que “quanto menos carboidrato, mais gordura o corpo vai queimar”. Mas será que isso faz sentido durante o exercício?

A resposta é: depende da intensidade e da duração do esforço. Vamos entender o que realmente acontece dentro do corpo durante o treino ou prova.


O corpo tem diferentes combustíveis

Durante o exercício, o corpo pode gerar energia a partir de três fontes principais:

  • Carboidratos → vindos do glicogênio muscular e da glicose do sangue. São a fonte mais rápida de energia, usada quando o esforço aumenta.

  • Gorduras → provenientes do tecido adiposo e dos triglicerídeos intramusculares. São mais lentas, mas praticamente inesgotáveis.

  • Proteínas → servem de combustível apenas em situações extremas, quando falta energia.

O corpo alterna entre esses combustíveis conforme a intensidade do exercício.


Como o corpo escolhe o combustível

  • Em baixa intensidade (como trotes leves ou caminhadas), o corpo usa mais gordura.

  • Em intensidade moderada, há uma mistura equilibrada entre gordura e carboidrato.

  • Em alta intensidade, o corpo depende quase exclusivamente dos carboidratos, pois eles são metabolizados mais rápido.

Ou seja, quanto mais forte o esforço, mais o corpo precisa de carboidrato.


“A gordura queima no fogo do carboidrato”

Essa frase clássica da bioquímica do exercício explica muita coisa. Para que a gordura seja usada como energia, o corpo precisa de um composto chamado oxaloacetato, que vem da quebra dos carboidratos.

Quando o glicogênio muscular e o carboidrato sanguíneo acabam, falta oxaloacetato. Sem ele, a gordura não consegue entrar eficientemente nas reações que geram energia.

O resultado? O corpo tem energia estocada (na forma de gordura), mas não consegue acessá-la rápido o suficiente. É aí que surge a temida quebra — aquela sensação de perna pesada, tontura, perda de força e queda de desempenho.


Por que repor carboidrato é essencial

Durante treinos e provas longas, mesmo que a gordura seja o combustível predominante, o carboidrato é o gatilho que mantém o metabolismo funcionando. Sem ele, o ritmo despenca e o corpo não sustenta a intensidade.

Por isso, estratégias como a periodização de carboidratos — treinar em algumas sessões com menos, e em outras com mais — precisam ser bem planejadas. Não se trata de cortar ou abusar, mas de ensinar o corpo a usar melhor os dois combustíveis.


Em resumo

Você não quebra por falta de gordura. Você quebra porque precisa de carboidrato para conseguir usar a gordura como energia.

O segredo não está em escolher entre um ou outro, mas em ajustar o combustível à intensidade, ao momento e ao objetivo do treino.


Conclusão

A nutrição esportiva não é sobre extremos.

É sobre entender a fisiologia do corpo e usar a alimentação como estratégia de performance.

Da próxima vez que alguém disser que “carboidrato atrapalha a queima de gordura”, lembra: sem fogo, a lenha não queima.

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