Por que você quebra se não repõe carboidrato — mesmo tendo gordura de sobra?
- Renata Popreaga

- 14 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Se você é atleta de endurance, provavelmente já ouviu (ou acreditou) na ideia de que “quanto menos carboidrato, mais gordura o corpo vai queimar”. Mas será que isso faz sentido durante o exercício?
A resposta é: depende da intensidade e da duração do esforço. Vamos entender o que realmente acontece dentro do corpo durante o treino ou prova.
O corpo tem diferentes combustíveis
Durante o exercício, o corpo pode gerar energia a partir de três fontes principais:
Carboidratos → vindos do glicogênio muscular e da glicose do sangue. São a fonte mais rápida de energia, usada quando o esforço aumenta.
Gorduras → provenientes do tecido adiposo e dos triglicerídeos intramusculares. São mais lentas, mas praticamente inesgotáveis.
Proteínas → servem de combustível apenas em situações extremas, quando falta energia.
O corpo alterna entre esses combustíveis conforme a intensidade do exercício.
Como o corpo escolhe o combustível
Em baixa intensidade (como trotes leves ou caminhadas), o corpo usa mais gordura.
Em intensidade moderada, há uma mistura equilibrada entre gordura e carboidrato.
Em alta intensidade, o corpo depende quase exclusivamente dos carboidratos, pois eles são metabolizados mais rápido.
Ou seja, quanto mais forte o esforço, mais o corpo precisa de carboidrato.
“A gordura queima no fogo do carboidrato”
Essa frase clássica da bioquímica do exercício explica muita coisa. Para que a gordura seja usada como energia, o corpo precisa de um composto chamado oxaloacetato, que vem da quebra dos carboidratos.
Quando o glicogênio muscular e o carboidrato sanguíneo acabam, falta oxaloacetato. Sem ele, a gordura não consegue entrar eficientemente nas reações que geram energia.
O resultado? O corpo tem energia estocada (na forma de gordura), mas não consegue acessá-la rápido o suficiente. É aí que surge a temida quebra — aquela sensação de perna pesada, tontura, perda de força e queda de desempenho.
Por que repor carboidrato é essencial
Durante treinos e provas longas, mesmo que a gordura seja o combustível predominante, o carboidrato é o gatilho que mantém o metabolismo funcionando. Sem ele, o ritmo despenca e o corpo não sustenta a intensidade.
Por isso, estratégias como a periodização de carboidratos — treinar em algumas sessões com menos, e em outras com mais — precisam ser bem planejadas. Não se trata de cortar ou abusar, mas de ensinar o corpo a usar melhor os dois combustíveis.
Em resumo
Você não quebra por falta de gordura. Você quebra porque precisa de carboidrato para conseguir usar a gordura como energia.
O segredo não está em escolher entre um ou outro, mas em ajustar o combustível à intensidade, ao momento e ao objetivo do treino.
Conclusão
A nutrição esportiva não é sobre extremos.
É sobre entender a fisiologia do corpo e usar a alimentação como estratégia de performance.
Da próxima vez que alguém disser que “carboidrato atrapalha a queima de gordura”, lembra: sem fogo, a lenha não queima.




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